No meu primeiro contrato abordo de navios cruzeiro, eu
trabalhei com Liquor Guy na loja dutty free do navio Galaxy da empresa
Celebrity Cruise.
Foi a maior experiência na minha carreira de “ criador de
desejos” até hoje.
2 horas após eu ter entrado no navio, eu já estava dentro de
uma loja repleta dos mais variados artigos, tendo que vendê los para pessoas do
mundo inteiro e ainda por cima em Inglês. UFAaaaaaaaaaaaaaaa ,
não foi fácil ................. é por isso que insisto em dizer que já estou preparado para tudo nessa vida. ( até peão de obra eu fui na Nova Zelândia)
Eu levo a sério o
novo slogan que criaram para demonstrar a garra do povo Brasileiro “Sou
brasileiro e não desisto nunca”
E lá estava eu em Civitavecchia pronto para dar inicio a
mais uma etapa da minha tão respeitada carreira.
Na liquor shopp eu vendia bebidas em garrafa, artigos de
higiene pessoal, alguns acessórios, snacks , conselhos ( brincadeira, conselhos
eu dava não vendia), cigarros e charutos.
Numa bela tarde ensolarada ( eu vi pela escotilha) um senhor
canadense que não consigo recordar o nome, perguntou se eu vendia charutos
cubanos e como a loja é uma concessão da multinacional Luis Vuitton com capital
americano não podíamos vender artigos cubanos, respondi que so tínhamos Domenicanos.
Ele então pediu 2 dos melhores ( como eu não sabia nada de
charutos fui logo no mais caro) e uma caixa de fósforos.
“ sorry sir, no matches, just lighters” respondi em inglês britânico, para espanto do
canadense com cara de canadense espantado.
“ Não posso acender charuto com isqueiro, intoxica o tabaco.”
respondeu o canadense não em português, mas em inglês.( só coloquei em português
para te poupar tempo indo no google tradutor).
Raciocinei e pensei ao mesmo tempo no mesmo segundo e
descobri o porque do fósforo e não do isqueiro.
Obviously, o gás !!!!!!
Daí então em uma jogada de Neymar do Santos, o meu cérebro
driblou todas as possibilidades de conseguir um fósforo no navio e conseguiu um
golaço aos 45 do segundo tempo quando o juiz já estava com o apito na boca
pronto para dar fim ao jogo.
Foi mesmo com nos filmes onde a solução começa a se
materializar na sua frente ate chegar ao formato da resposta e num piscar de
olhos eu encontrei a solução:
“ Pq o senhor não compra o isqueiro, consegue um pedaço de
madeira, queima a madeira e acende o charuto na madeira?” respondeu o Leonardo
Nery.
“Não é que ele tem razão, como eu não pensei nisso antes?” pensou
o canadense ( em inglês) e eu consegui ler na mente dele. Mas da sua boca so
saiu um pouco sonoro SURE.
O gringo ficou tão encantado com minha solução de imediato
que durante os 7 dias de cruzeiro, todas as noites parava em frente a loja e me
olhava com um ar de curiosidade, como se quisesse saber ate onde eu era capaz
de ir.
Esse é o jeito de ser do brasileiro, esse é o meu jeito de
ser.
Não consigo acreditar que alguma coisa não tem jeito, não
consigo me dar por derrotado, tudo tem um “ jeitinho” para se resolver.
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