segunda-feira, 3 de setembro de 2012

The Brazilian Little Way


No meu primeiro contrato abordo de navios cruzeiro, eu trabalhei com Liquor Guy na loja dutty free do navio Galaxy da empresa Celebrity Cruise.
Foi a maior experiência na minha carreira de “ criador de desejos” até hoje.
2 horas após eu ter entrado no navio, eu já estava dentro de uma loja repleta dos mais variados artigos, tendo que vendê los para pessoas do mundo inteiro e ainda por cima em Inglês. UFAaaaaaaaaaaaaaaa, não foi fácil ................. é por isso que insisto em dizer que  já estou preparado para tudo nessa vida. ( até  peão de obra eu fui na Nova Zelândia)
Eu levo a sério  o novo slogan que criaram para demonstrar a garra do povo Brasileiro “Sou brasileiro e não desisto nunca”
E lá estava eu em Civitavecchia pronto para dar inicio a mais uma etapa da minha tão respeitada carreira.
Na liquor shopp eu vendia bebidas em garrafa, artigos de higiene pessoal, alguns acessórios, snacks , conselhos ( brincadeira, conselhos eu dava não vendia), cigarros e charutos.
Numa bela tarde ensolarada ( eu vi pela escotilha) um senhor canadense que não consigo recordar o nome, perguntou se eu vendia charutos cubanos e como a loja é uma concessão da multinacional Luis Vuitton com capital americano não podíamos vender artigos cubanos, respondi que so tínhamos Domenicanos.
Ele então pediu 2 dos melhores ( como eu não sabia nada de charutos fui logo no mais caro) e uma caixa de fósforos.
“ sorry sir, no matches, just lighters”  respondi em inglês britânico, para espanto do canadense com cara de canadense espantado.
“ Não posso acender charuto com isqueiro, intoxica o tabaco.” respondeu o canadense não em português, mas em inglês.( só coloquei em português para te poupar tempo indo no google tradutor).
Raciocinei e pensei ao mesmo tempo no mesmo segundo e descobri o porque do fósforo e não do isqueiro.
Obviously, o gás !!!!!!
Daí então em uma jogada de Neymar do Santos, o meu cérebro driblou todas as possibilidades de conseguir um fósforo no navio e conseguiu um golaço aos 45 do segundo tempo quando o juiz já estava com o apito na boca pronto para dar fim ao jogo.
Foi mesmo com nos filmes onde a solução começa a se materializar na sua frente ate chegar ao formato da resposta e num piscar de olhos eu encontrei a solução:
“ Pq o senhor não compra o isqueiro, consegue um pedaço de madeira, queima a madeira e acende o charuto na madeira?” respondeu o Leonardo Nery.
“Não é que ele tem razão, como eu não pensei nisso antes?” pensou o canadense ( em inglês) e eu consegui ler na mente dele. Mas da sua boca so saiu um pouco sonoro SURE.
O gringo ficou tão encantado com minha solução de imediato que durante os 7 dias de cruzeiro, todas as noites parava em frente a loja e me olhava com um ar de curiosidade, como se quisesse saber ate onde eu era capaz de ir.
Esse é o jeito de ser do brasileiro, esse é o meu jeito de ser.
Não consigo acreditar que alguma coisa não tem jeito, não consigo me dar por derrotado, tudo tem um “ jeitinho” para se resolver.


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